Os jovens Vinícius, Karine, Maria Ritha, Diogo e Luciana, juntamente com a Irmã Gertrud Foktrer, se reuniram no Aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, para embarcar na peregrinação até a Porta Santa, em Roma, na Itália. Os pais se despediram de seus filhos, apreensivos com a viagem e com a distância que os separaria de suas casas. Entre lágrimas e ansiedade pelo novo, Irmã Gertrud orientou a todos sobre o que estaria por vir, incluindo as pequenas burocracias que teríamos de enfrentar até chegar ao nosso primeiro destino: Munique, Alemanha.
Depois de 14 horas de voo, passando por conexões em São Paulo e Madri, aos poucos começamos a entender o quão grande pode ser este mundo que Deus criou com tanto capricho. A língua já não era a mesma, as culturas se misturavam, e nós estávamos ali, também a caminho, peregrinos da esperança. E devagar, a ficha ia caindo: longe dos pais, da casa, da terra natal, mas abertos a novas experiências, cada jovem pôde sentir como é lidar com a própria vida e perceber que o mundo ainda oferece tantas possibilidades.
Ao chegar em Munique, na Alemanha, com o fuso horário já pesando sobre nossos corpos, fomos carinhosamente recepcionados pela Irmã Barbara Kiener, que mora no Brasil mas estava em Munique por causa de uma reunião. As Irmãs da Casa Geral das Irmãs Missionárias de Cristo nos receberam com abraços e olhares afetuosos. Apesar de não sabermos a língua local, era muito fácil perceber e sentir que éramos todos muito bem-vindos. As demonstrações de carinho e acolhimento se estenderam até os quartos, preparados com cuidado para cada jovem: camas quentinhas, banheiros organizados e chocolates sobre a escrivaninha — pequenos detalhes que alegraram nossos corações.
Depois de nos acomodar, descemos para fazer nossa primeira refeição em solo alemão, preparada pelas moças responsáveis pela cozinha. Experimentamos um novo modo de viver: comidas que, embora semelhantes às do Brasil, eram consumidas de maneiras diferentes, em horários diferentes, além de outras que sabíamos ser experiências únicas, encontradas apenas naquele lugar. Pães saborosos, sucos, geleias, frutas e verduras fresquinhas nos encantaram.
Após o almoço, visitamos um lugar muito interessante: um cemitério próximo à Casa Geral, onde estão enterradas as Irmãs Missionárias de Cristo que já partiram junto de Deus. Encontramos ali um novo jeito de lidar com a morte. O respeito e zelo dedicados aos falecidos foram tocantes. O cemitério não é visto como algo distante e isolado da sociedade, mas como um local de respeito, onde se pode rezar e descansar no meio do dia, lembrando dos entes queridos que já partiram.
Durante os três dias em Munique, também visitamos um belo parque. Lá encontramos animais ao redor de um lago imenso, monumentos de culturas orientais e, principalmente, pessoas de vários lugares se relacionando e aproveitando o espaço para correr, conversar e partilhar a vida.
Um dos passeios mais marcantes foi a visita ao Campo de Concentração Dachau, perto de Munique. Rememoramos um período de guerra e injustiça que marcou profundamente a humanidade. Com coragem e ternura, Irmã Gertrud Fokter nos apresentou o local, contando um pouco de sua própria história e de seus familiares. Após explorar o campo, nos reunimos em uma capela, onde rezamos pelas vítimas que passaram por aquele lugar, pedindo a Deus que tamanha crueldade jamais se repita.
De volta à Casa Geral, descansamos e vivemos um incrível momento de partilha com as Formandas das Irmãs Missionárias de Cristo. Lá conhecemos a Irmã Maria Wolfsgruber, responsável pela Formação das novas integrantes da Comunidade, que nos contou sobre o processo e sobre os sentimentos vividos nesse período. Em seguida, visitamos a casa onde elas vivem, rezamos juntos e, por fim, compartilhamos um jantar de despedida.
JOVENS PEREGRINOS RUMO À ÁUSTRIA
Uma das belezas de viver na Europa é poder transitar rapidamente entre países de trem. Nosso próximo destino foi a Áustria, mais especificamente o estado de Salzburgo, terra natal da nossa querida Irmã Gertrud Fokter. Após quatro horas de viagem, chegamos à cidade de Salzburgo e a casa das Irmãs Missionárias de Cristo, onde fomos afetuosamente recepcionados pelas Irmãs Gerlinde Kauba, Hedwig Wanker e Hedwig Leonhartsberger.
Salzburgo se revelou bem diferente de Munique: uma cidade de lindos castelos, música por toda parte e montanhas impressionantes. A terra de Mozart e de tantos artistas renomados, que antes conhecíamos apenas dos livros de história, estava viva diante de nós.
Durante nossa estadia, tivemos um momento especial ao visitar uma paróquia onde encontramos os amigos da Irmã Gertrud — seu primeiro grupo de jovens, no início de sua caminhada religiosa e profissional. Hoje, já adultos, pais e mães de família, nos receberam com comidas típicas, sorrisos e curiosidade. Participamos da missa na pequena igreja antiga, da Paróquia Elsbethen onde fomos muito bem acolhidos. Cantamos, rezamos juntos e, ao final, agradecemos pela hospitalidade daquela comunidade.
Também visitamos a fazenda onde a Irmã Gertrud cresceu, chegando justamente no aniversário de sua mãe. Entre família, celebramos e conhecemos de perto a vida simples e trabalhosa do campo. Hortas e plantações de tomates, trigo, cenoura, alface, couve e muitas outras verduras cercavam a casa, abastecendo a feira da cidade e os vizinhos. O trabalho dobrado também se dedicava ao cuidado das vacas, produtoras de litros de leite destinados à fábrica de derivados da região.
Ainda no clima rural, visitamos a fazenda Fuchsmoos, onde vive a família da irmã Irmgard da Irmã Gertrud, localizada no alto das montanhas. Com mais de 500 anos de existência, a casa recebe turistas e mantém viva a tradição. Lá, pudemos partilhar refeições singulares e trocar experiências com os jovens locais, aprendendo mais sobre a vida na Áustria.
Ficamos impressionados com a abundância de água e descobrimos que estávamos diante da maior cachoeira da Europa. Subir passo por passo até o topo nos fez refletir bastante o quanto tudo que conhecemos até o momento fazia parte de uma peregrinação interior em pleno contato com Deus.
De volta à casa das Irmãs, nos preparamos para outra aventura: subir os Alpes. Pegamos o trem rumo a uma gruta de gelo que nunca derrete, nem no verão. A viagem incluiu trechos de ônibus, caminhadas e teleféricos até que, finalmente, adentramos a montanha a zero grau. Ficamos maravilhados diante da obra de Deus: geleiras com mais de 4 mil anos, intactas, descobertas por aventureiros séculos atrás.
Para finalizar nossa estadia em Salzburgo, visitamos a Cúria da Arquidiocese de Salzburgo e encontramos Markus Rosskopf, o responsável pelos assuntos da Igreja nas diversas partes do mundo e que já morou um tempo no Brasil. Lá tivemos um bate papo bem agradável e trocamos algumas lembranças do Brasil.
JOVENS PEREGRINOS RUMO À ROMA
Por fim, despedimos das Irmãs Gerlinde Kauba, Hedwig Wanker e Hedwig Leonhartsberger e partimos em direção a Itália. A viagem de trem foi longa, a paisagem começou lentamente a mudar e o mundo parecia cada vez maior. A chuva foi substituída pelo sol e o frio pelo calor. Chegamos, enfim, em Roma. Nosso objetivo final estava agora sob os nossos pés.
Antes de explorar a cidade, deixamos nossas coisas na casa das Irmãs da Reparação que nos cederam quartos muito confortáveis para passarmos os dias seguintes da peregrinação. Banhados e renovados, partimos em direção a praça de São Pedro. As ruas estavam cheias de jovens de todas as partes do mundo. Coreanos, alemães, italianos, brasileiros, nigerianos, franceses e muitos outros lugares estavam ali representados por pessoas corajosas e cheias de fé.
Ver a praça imensa e cheia de vida foi uma linda impressão e passar pela Porta Santa também nos trouxe sentimentos de muita esperança. Caminhamos em silêncio e rezando todo o percurso até lá e agora sentíamos renovados, prontos para seguir a vida e enfrentá-la com ânimo e coragem. Estar na Basílica São Pedro em contato com a história não só do local, mas de toda a humanidade, juntamente com a história da Igreja, nos iluminou e mostrou o quanto nossa caminhada era também passos muito antigos, que somos a continuação de um sonho, o sonho de Deus.
Após vivenciar esse momento nos sentimos prontos para explorar Roma em todos os sentidos. Visitamos igrejas muito antigas, conhecemos histórias de santos e santas que dedicaram suas vidas à missão pelo próximo, passeamos com nosso amigo conterrâneo Irmão Diego, adentramos o famoso Coliseu e as catacumbas debaixo da cidade. Comemos pizza, macarrão e refrescamos o dia com o sorvete delicioso da Itália.
Mas, o que também mais nos marcou muito foi poder visitar o túmulo do nosso querido Papa Francisco. Estar perto da sua lápide nos mostrou o que é a simplicidade. Com apenas o nome “Francisco” sobre o mármore e uma humilde flor, Francisco nos ensinou o que realmente devemos considerar em nossas vidas, a presença viva na vida de quem amamos, o viver simples e íntegro e saber que Deus nos mostra o amor nas pequenas coisas.
Assim, finalizamos essa peregrinação cheios de sonhos e com muita força para seguir adiante. O Brasil nos esperava e nossa família já se contorcia de saudades. Certamente, ser jovens peregrinos da esperança é uma missão que jamais devemos esquecer.
Texto: Maria Ritha Paixão, Gertrud Fokter